Esperando pra ver!

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Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda. Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da água. Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse. E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e anda (João 5:2-8).
O homem que há 38 anos se encontrava enfermo e estava próximo ao tanque de Betesda era paralítico, não era cego. Apesar de esperar ajuda para andar, a demora mesmo foi esperando pra ver. Explico. Ele percebia que de tempo em tempo, um anjo agitava as águas do tanque e aquele que ali descia era curado de qualquer mal. Ora, o apóstolo Paulo escreve aos romanos dizendo que aquilo que vemos não pode ser esperança. O autor da carta aos hebreus afirma que a fé é o firme fundamento do que se espera, a prova das coisas que não se vêem. A maior esperança do paralítico, portanto, não seria o milagre de andar, pois tinha certeza que descendo ao tanque andaria. O maior milagre seria ver.

Ver o quê? Alguém que tivesse misericórdia dele. Alguém que, por íntima compaixão, não passasse na sua frente, mas levasse-o até o tanque dando-lhe a oportunidade de seguir em frente, mostrando-lhe companheirismo e amizade. Durante 38 anos ele não viu isso. Ele percebeu que as pessoas se preocupavam cada uma com seus problemas. Que no coração daquela multidão ao seu redor não havia lugar para compartilhar, para amar. Foram 38 anos percebendo que estava só no meio da multidão, que não tinha ninguém que o amasse verdadeiramente. Mesmo assim, ele continuou esperando pra ver.

Ele não foi o primeiro na lista, nem o último. O jovem Ezequiel conta que esteve durante cinco anos nas margens do rio Quebar, junto aos cativos de Jerusalém. Por cinco anos a dor, o sofrimento, a escravidão, a miséria, o desencanto, o desprezo, a vergonha, o silêncio do céu. Mas ele esperou pra ver e viu. No primeiro capítulo do livro que leva seu nome a Bíblia registra: “O céu se abriu e eu tive uma visão de Deus”.

O apóstolo João esteve preso na ilha chamada Patmos por causa da pregação (anúncio e vivência) do evangelho de Cristo. E qual maior obstáculo para quem está preso numa ilha senão o mar que o rodeia? Mas João esperou pra ver a glória de Deus e viu. Viu um novo céu, uma nova terra. E viu que o mar não existe mais. Viu que a prisão não é o fim (Apocalipse 21).

Jesus disse ao paralítico: “Toma tua cama e anda”, mostrando-lhe que não estava só; mostrando-nos que Deus se importa conosco. O homem esperou pra ver, viu e andou.
O homem no tanque de Betesda (João 5:2), Ezequiel no rio Quebar (Ezequiel 1:1), João na ilha de Patmos (Apocalipse 21), Zaqueu de cima da árvore (Lucas 19:4), Maria na porta do sepulcro (João 20:1-11), os discípulos no dia de Pentecoste (Atos 2), a Igreja que orava enquanto Pedro estava na prisão (Atos 12:5), Estevão – mesmo sendo apedrejado (Atos 7:55). A Bíblia está repleta de histórias de pessoas que esperaram pra ver e viram.

O rei Davi esperou com paciência no Senhor. O povo de Israel esperou pelo Senhor. Ele veio, habitou entre nós e vimos a Sua glória. O mundo o viu subir, mas ele vai voltar. Ele aparecerá nas nuvens e todo o olho verá. Essa é a nossa maior esperança. Nós esperamos pra ver. Aleluia.

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Ricardo Matense

Vereador de Verdade

Ricardo Matense é Vereador no município de Mata de São João, Bahia. Na Câmara Municipal é presidente da Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Jovem e é o relator da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final.

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Ricardo Matense