{Devocional} O pãozinho da Nilza

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Receita salgada pede um pouco de açúcar. Depois de pronta você nem sente o gosto do açúcar, mas ele está lá. Se você tirá-lo da receita fará uma enorme diferença. Funciona como uma espécie de fator de equilíbrio. Nem sei mesmo porque estou falando dessa coisa, não entendo nada de culinária. Talvez seja pelo fato de há alguns dias atrás ter experimentado um pãozinho delícia que deveria ter levado açúcar no preparo e não levou. A Nilza, insuperável no preparo do pãozinho delícia, tinha deixado a receita e esquecera de acrescentar o açúcar na lista de ingredientes. Resultado: o pão não cresceu como deveria e o gosto nem lembrava o pãozinho que ela costuma fazer. Se eu nunca tivesse experimentado o pãozinho delícia da Nilza talvez não tivesse percebido a diferença e comeria aquele como se fora a coisa mais deliciosa do mundo.

Acho que na experiência com Deus acontece mais ou menos assim. Tem coisas que estão o tempo todo lá, mas não nos damos conta de que existem. São ingredientes que compõem a massa do nosso relacionamento com Deus e que sem eles as coisas simplesmente desandam. É assim com a graça de Deus. Ela permeia tudo que somos e fazemos, dá sentido ao que pensamos e planejamos, restabelece as forças quando nos sentimos exaustos existencialmente, faz-nos criar mundos inexistentes e viver em função deles.

Tem muita gente que nunca experimentou o fluir da graça divina e pode até ser que ache a sua vida uma maravilha. Outros, resignados, tentam se acomodar dentro das limitações que vivem. Alguns já experimentaram a graça e aos poucos foram substituindo-a por dogmas, crenças, usos e costumes até banirem de vez a poderosa graça de Deus das suas vidas. Para estes a situação é mais complicada. Já experimentaram do pãozinho feito pela Nilza e agora, nem toda fome do mundo, apagará a memória gustativa de afundar os dentes na massa fofa e saborosa da graça de Deus.

As igrejas estão abarrotadas de pessoas que começaram na graça e decaíram dela. Preferiram experimentar uma forma diferente de fazer pão. Em alguns casos suprimiram um ingrediente, em outros, acrescentaram a famosa “pitada do Chef”. O que resultou disso foi o crescimento de pessoas vazias de Deus dentro da própria casa de Deus. Um deus para cada tipo de igreja. Um deus que confere raras audiências na pessoa do seu preposto em Roma. Um deus que nasceu em Genebra, foi criado na Inglaterra puritana dos séculos XVI e XVII e aprendeu a ler usando as confissões reformadas. Um deus que, por conhecer todas as coisas, pode consertar nossas bobagens, afinal, a vontade das suas criaturas é soberana. Um deus que encarnou em Wall Street e chama a todos à prosperidade na vida. E por aí vai. Tudo, menos ser confrontado pela graça divina. Tentativas desastrosas de domesticar o sagrado. De querer fazer pãozinho delícia sem chamar a Nilza.

Volto ao episódio de Jesus com a mulher apanhada em adultério. A graça singulariza. Fica apenas a mulher diante de Jesus. Não há massa, não há os muitos, não há público, há uma pessoa carente da graça.

A graça acolhe e acolhimento significa identificação. Jesus se põe de pé juntamente com aquela mulher para demonstrar sua disposição de acolhê-la pela via da igualdade. Já não é o mestre que fala, é o amigo.

A graça redireciona a nossa caminhada. “Agora vá” e reescreva a sua história. Tenha um norte e não se deixe distrair pelos adereços.

A graça retira o peso da culpa. “Eu também não te condeno”. Sinta o alívio de lançar sobre mim o seu fardo e desfrutar da maravilhosa liberdade de obedecer a Deus.

Se nunca experimentou o pãozinho da Nilza você não imagina como a vida pode ser fascinante com ele. Se já experimentou e tentou alterar a receita e agora come pão duro e sem graça, chame a Nilza de volta e peça a ela que faça uma fornada generosa de pãozinho. Então coma sem moderação.

Autor: Pr. AFA Neto, publicado inicialmente em seu Canteiro de Inquietudes

Ricardo Matense

Vereador de Verdade

Ricardo Matense é Vereador no município de Mata de São João, Bahia. Na Câmara Municipal é presidente da Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Jovem e é o relator da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final.

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