A flor do maracujá

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Catulo da Paixão Cearense

Ah, pois então eu lhi conto! A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa, a flor do maracujá
Maracujá já foi branco. Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi, mais brando do que o luá
Quando a flor brotava nele, lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia um ninho de argodão
Mais um dia, há muito tempo, num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho, si foi janero ou dezembro
Nosso sinhô Jesus Cristo, foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado, longe daqui como o quê
Pregaro cristo a martelo, e ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha, pois-se a chorá di tristeza
Chorava us campu, as foia, as ribera
Sabiá também chorava, nos gaio a laranjera
E havia junto da cruis um pé de maracujá
Carregadinho de flor, aos pé de nosso sinhô
I o sangue de Jesus Cristo, sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá tingia todas as flor
Eis aqui seu moço a estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa a flor do maracujá.

Ricardo Matense

Vereador de Verdade

Ricardo Matense é Vereador no município de Mata de São João, Bahia. Na Câmara Municipal é presidente da Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Jovem e é o relator da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final.

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Ricardo Matense