Um pouco de vida, por favor!

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Foram dois e-mails vindos de colegas de trabalho. O primeiro trazia um trecho de uma matéria da Folha veiculada pelo UOL com o respectivo link, onde se lia: "Após receberem a propina, o deputado Rubens César Brunelli (PSC), o atual presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM), e Durval Barbosa, ex-assessor de Arruda e colaborador da PF que entregou o suposto esquema de desvio de verbas públicas e arrecadação de propina de empresas para pagar despesas de campanha e distribuir recursos à base aliada do governador, oram." O segundo era uma dessas campanhas feitas via net, com uma espécie de abaixo assinado para impedir a exibição, aqui no Brasil, de um filme que teria o título de “Corpus Christis”. A produção hollywoodiana retrata um Jesus homossexual.
Para quem acha que já viu de tudo em política, pode acrescer seu repertório de canalhices com mais esta. Sendo que, como de outras vezes, os protagonistas da cena trágica são picaretas que se dizem evangélicos. Existem muitos destes por aí. Muito mais do que gostaríamos. Gente que ostenta o nome de cristão, mas nada sabe sobre os valores do Reino de Deus. Frequenta igreja, mas ignora completamente os ideais de integridade e honestidade. Finge piedade, mas é incapaz de se deixar sensibilizar pelo Espírito que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo. Gente que ora para ter prosperidade, mas faz qualquer coisa para obtê-la não importando a lisura do processo. Gente que alardeia aos quatro ventos que tem a Deus, mas, certamente, Deus não os reconhece como seus.

Aí me volto para o suposto filme de Hollywood. Confesso que isto não me tira o sono nem me perturba. Pobre de quem quer legitimar seus comportamentos evocando e manipulando a figura do Filho de Deus. Coitado daquele que pensa que Deus precisa do seu desprendido esforço para defender-se de acusações impróprias. Mas, alguns podem dizer: “se Deus não precisa, o Evangelho precisa de nossa defesa”. O Evangelho, entendido como um projeto de vida que envolve o ser humano inteiro aqui e no depois, é corporificado na vida daqueles que abraçam a fé em Jesus. Vivem uma proposta que sempre caminha na contramão das tendências. Portanto, em certa medida, o Evangelho ‘precisa’ de vidas que o promovam.

Estou sem paciência para piedade sem ética, regras sem sentido, tradições sem vida e inovações sem sentido. Meu desprezo para a ortodoxia que inquire e condena, para o liberalismo que não confronta e nem sabe para onde vai, para as certezas sem coração e para a emoção burra. Lamento a religiosidade sem alma, a espiritualidade sem corpo, o sagrado sem espanto e o êxtase sem razão. Repudio o amor sem compromisso, o compromisso sem tesão, a convivência infernal e o afastamento como solução. Execro a sinceridade que fere, a dissimulação que trama, o tapa de quem ama e o beijo que prenuncia a traição. Tenho nojo do culto sem transcendência, da alegria sem reverência, do respeito sem espontaneidade e do sentimento sem a Presença.

Só quero viver; enquanto existo.

AFA Neto (www.afaneto.blogspot.com)

Ricardo Matense

Vereador de Verdade

Ricardo Matense é Vereador no município de Mata de São João, Bahia. Na Câmara Municipal é presidente da Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Jovem e é o relator da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final.

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